A biblioteca de Alexandria

Confesso que a Biblioteca de Alexandria é uma das beldades arquitetônicas (se é que esse termos existe) da cidade de Alexandria. É muito verdade que não é muito difícil construir algo que chame atenção por aqui, afinal um dos únicos prédios conservados da cidade é o da polícia e não tem nada de estraordinário. Enfim, voltando para a biblioteca, ela é famosa por vários motivos e os principais são: a antiga biblioteca, maior do mundo até a Idade Média quando foi totalmente (ou quase totalmente) destruída por um incêndio; e, a nova e atual, construída no lugar da antiga, levou 7 anos para ficar pronta, com um gasto de cerca de 200 milhões de euros e projetada por uma firma de arquitetos noruegueses (bem que desconfiei, ficava pensando… como eles construíram essa biblioteca e os prédios são assim? Pergunta respondida).

A biblioteca é… uma biblioteca e o mais legal são que os estudantes entram e saem o tempo todo e se misturam aos turistas que aproveitam algumas exposições. É um pouco complicado no começo entender que lado da biblioteca você deve ir para pegar o elevador que te levará para o andar do livro que você procura, mas você acostuma-se rapidamente, pelo menos para achar livros que tem indicações em inglês. Não tem muito o que falar, seguem as fotos então…

Biblioteca1Biblioteca2Biblioteca3Biblioteca4Biblioteca5Biblioteca6Biblioteca7

Add comment Outubro 31, 2009

Guiza e suas pirâmides

Guiza e suas Pirâmides

Falar ou pensar no Egito é pensar na história, em uma país berço da civilização, que se localiza no norte da África e inclui e península do Sinai que se fica na Ásia, é pensar em templos, reis, faraós, deserto, camelos e monumentos históricos fabulosos. O fato é que ninguém no mundo nega o fascínio exercido pelas construções milenares que por aqui se encontram. E é na maior cidade da África e do Oriente médio, capital do Egito, que se encontram as maiores e de fato impressionantes pirâmides de Guiza.

As três horas de viagem de Alexandria para Cairo não são nada se comparado ao tempo que você leva para chegar até as pirâmides. O acesso é difícil? Muito pelo contrário o problema é saber se locomover em Cairo. Sem sinalização você se move no bom e velho modo “quem tem boca vai a Roma” e esse é seu único meio de direção, mas o importante é que você chega, demora mas chega. E no meio daquela cidade populosa, sem sinalização e em meio a tanta poeira, você as enxerga e o pensamento é unicamente: vale a pena.

Guiza é uma cidade em Cairo que fica na margem oeste do rio Nilo e abriga principalmente as três grandes pirâmides construídas como tumbas reais para os reis Kufu (ou Quéops), Quéfren, e Menkaure (ou Miquerinos) – pai, filho e neto. A maior delas (a de Kufu) tem 160 metros de altura e foi construída em 2550 a.C. Elas não são fabulosas apenas por ocuparem a primeira posição entre as 7 marivilhas do mundo antigo, nem por terem sido a maior estrutura feita pelo homem até 1900 quando foi construída a Torre Eiffel, mas simplesmente pelo que são, pelo que representam.

As pirâmides levaram mais de 20 anos para serem construídas, no complexo de Guiza além das 3 grandes pirâmides existem 6 pirâmides menores das rainhas, a Esfinge e templos funerários compondo a “cidade para os mortos”. Confesso que existe um choque entre a cidade e as pirâmides, principalmente porque as pirâmides impressionam, as pessoas tem orgulho das construções ,e os prédios pelo fato de não serem nada conservados dão a impressão de que o Egito parou no tempo. Mas quem para no tempo é você que não consegue desgrudar os olhos daquelas estruturas de pedra indescritíveis que estão a sua frente. Uma visita ao Egito é incompleta sem uma visita a Guiza e suas pirâmides.

Seguem as fotos para quem interessar, o vento estava forte, andar de camelo e de cavalo em meio ao deserto e contornando as pirâmides é surreal e bem, sempre tem que ter as fotos mico. Enjoy here.

1 comment Outubro 20, 2009

Siwa, existe vida no deserto

Comentei no último post que após o Ramadã existe um feriado de 3 dias, relembrando… a grande festa pós Ramadã onde as pessoas usam suas roupas novas, rezam e festejam. Nós trainees de outra religião aproveitamos os 3 dias de folga para… viajar!!! Então partimos em 19 pessoas de 11 países diferentes rumo a Siwa. As nossas expectativas: aproveitar o feriado e curtir o sol.

Sinceramente, poderia passar horas falando como foi conhecer 15 pessoas, aproveitar uma viagem dessas e descrever com palavras a sensação que você tem quando se depara com as peculiaridades dos lugares aqui. Mas o fato é que é impossível transcrever tudo que eu vi e presenciei, acho que é uma experiência que todos deveriam tentar passar. As vezes parece que você está em um daqueles filmes do escorpião rei ou o retorno da múmia, você nunca sabe de onde veio, para onde vai e onde acaba a areia. Então chega de falar e vamos colocar as fotos que é melhor…

Pegando a Estrada Rumo a Siwa

Pegando a Estrada Rumo a Siwa

Foram mais de 10 horas de viagem, boa parte do tempo de noite, mas assim que o sol aparece percebemos que estamos indo para um lugar que por si só já é no meio do nada.

Chegando em Siwa

Chegando em Siwa

A cidade é bem pequena, acho que não soma 10 quarteirões (talvez tenha exagerado um pouco), eles praticamente sobrevivem do turismo e da venda de artigos feitos a mão e plantação de dates (é um fruto). Uma das coisas que chamam atenção na cidade são as construções nas montanhas que tem mais de mil anos. No primeiro dia fomos ver alguns lagos naturais e passar algum tempo conhecendo a cidadezinha.

A galera!

A galera!

Ver o por do sol em um dos lagos, precisa descrever?

Ver o por do sol em um dos lagos, precisa descrever?

Anoitece, conhecemos as montanhas e nos preparamos para encarar o deserto

Anoitece, conhecemos as montanhas e nos preparamos para encarar o deserto

Acordamos animados, estamos a meia hora do deserto!

Acordamos animados, estamos a meia hora do deserto!

Mas nada como enfrentar as dunas dentro de um jipe (as vezes vc acha que elas são um pouco grandes, mas só aumenta a emoção)

Mas nada como enfrentar as dunas dentro de um jipe (as vezes vc acha que elas são um pouco grandes, mas só aumenta a emoção)

Daí tem momentos que a tração 4X4 não funciona...

Tem momentos que a tração 4X4 não funciona...

Daí você tem que apreciar a vista e curtir o sol, difícil não?

Daí você tem que apreciar a vista e curtir o sol, difícil não?

Mas o que este deserto esconde além de formações rochosas milenares?

Mas o que este deserto esconde além de formações rochosas milenares?

Bem, nada de mais.. só um lago de água doce com peixes esperando você para dar um mergulho...

Bem, nada de mais.. só um lago de água doce com peixes esperando você para dar um mergulho...

Seguimos no deserto para ver o sol se por e passamos rapidamente por um mini lago (tbm no meio do deserto) só que de água quente. E como a claridade já era pouca, não nos demoramos para achar o lugar propício e montar o acampamento. Além de jantar, passaríamos a noite em sacos de dormir junto a áreia e ao Céu estrelado.

O Piquenique no lago para o almoço foi bom... mas o jantar: melhor frango que comi aqui no Egito

O Piquenique no lago para o almoço foi bom... mas o jantar: melhor frango que comi aqui no Egito

E acampar é divertido, principalmente com boas companhias!!!

E acampar é divertido, principalmente com boas companhias!!!

A noite foi boa, acordamos com o nascer do sol. Passamos rapidamente para um mergulho no “Hot Spring”, uma espécie de mini piscina com água quente natural. Voltamos para o Hotel (banho era super necessário), partimos para Marsa Matrouh, uma cidade pequena com um mar incrível em tonalidades diferentes, lugar onde a Cleopatra ia. Em seguida pegamos a estrada para casa, mas antes demos uma paradinha no cemitério/memorial dos soldados Italianos que morreram na segunda guerra.

O nascer do Sol no Deserto

O nascer do Sol no Deserto

Em Marsa Matrouh

Em Marsa Matrouh

O cemitério

O memorial

No fim, uma experiência sem palavras...

No fim, uma experiência sem palavras...

Consegui juntar algumas fotos de Facebooks alheios e coloquei aqui, para quem quiser ver mais um pouquinho de deserto…

Add comment Setembro 25, 2009

Desvendando o Ramadã

O Ramadã acontece uma vez por ano, sempre no nono mês do calendário Islâmico (nada mais é do que um calendário lunar, com 12 meses de 29 ou 30 dias somando 354 dias), mas o que necessariamente é o Ramadã?

Resumidamente o mês do Ramadã foi o mês em que foi revelado o Alcorão, é um mês de jejum que simboliza muitas coisas, entre elas a renovação da fé, maior caridade, mais presença religiosa (acredita-se que as boas ações que o fiel faz no Ramadã tem o dobro de retorno do que em dias que não são do feriado) e obviamente uma mudança estrutural na cidade.

Vou explicar, durante o mês do Ramadã existe o jejum, obrigatório para todos os mulçumanos que chegam na puberdade (o primeiro ano jejuando de um mulçumano significa a passagem para a vida adulta e é um marco) isso significa que as pessoas não comem e bebem durante o dia (entra no jejum também cigarro e bebidas alcoólicas são proibidas até para venda durante o mês), somente comem depois que o sol se põe e antes do sol nascer. Mas durante este período em que é permitido comer existem duas refeições importantes e tradicionais, a Iftar e a Su-Hoor.

A Su-Hoor é antes do sol nascer, ela é considerada como um café da manhã e uma benção enviada por Deus. Hoje em dia nem todos os mulçumanos tornam esta refeição tão tradicional, logo nem todo mundo acorda às 4 da manhã para comer alguma coisa, mas ao mesmo tempo, muitos deles nem dormem, esperam dar 4 horas da manhã acordados mesmo.

O Iftar é o mais tradicional e ele é considerado o “break fast”, não o café da manhã como o outro, prestem atenção neste caso traduzimos mais ao pé da letra, logo Iftar = quebra do jejum. É mais tradicional e mais levado a sério, ocorre no início do crepúsculo e a quebra do jejum é obrigatória (ainda bem mais tempo sem comer e sem beber nada o pessoal morreria desidratado). Foi um pouco confuso no começo ser convidada para o break fast às 18h30, após o pôr-do-sol mas como o Ramadã dura um mês inteiro você acostuma.

Parece fácil imaginar viver assim por um mês, afinal as pessoas que não são mulçumanas não precisam fazer jejum, mas é aconselhado que você não coma, prepare comida, beba ou coisa do tipo na presença dos mulçumanos, deu para entender a indireta né? O mais difícil com certeza é se acostumar aos 29 graus sem poder beber um golinho de água e com o bonde que para onde está para que o motorista e cobradores comam no horário, pelo menos quando isso aconteceu comigo entre uma estação e outra eles me deram um suco… (sim aceitei suco de estranhos e sobrevivi).

O Bonde, só para ilustrar

O Bonde, só para ilustrar

Por outro lado é uma cultura incrível, por um mês os restaurantes mudam os horários, a cidade assume uma outra dinâmica, tudo fica enfeitado, as pessoas ficam mais caridosas, ocorrem muitas doações de comidas para pobres, principalmente porque para aqueles que tem justificativa para não jejuar (grávidas, doentes, mulheres no período de menstruação, etc) tem duas escolhas: Jejuar por 60 dias depois do Ramadã ou alimentar necessitados pelo mesmo período, isso vale para quem quebrar o jejum também.

A cidade fica toda iluminada com as “Ramadan Lights” que chamam aqui de “Fenuci” que são um símbolo principal do Ramadã. Uma das celebrações, a Layat al Kadr, é em homenagem ao profeta Profeta Muhammad, acredita-se que os pedidos feitos durante as horas da celebração, que normalmente ocorrem no 26 para o dia 27 dias do Ramadã, serão atendidos por Deus.

Ramadan Lights

Ramadan Lights

Conversando com alguns mulçumanos e vivenciando este mês descobri algumas coisas interessantes, para eles é como se o Natal durasse um mês (quando o Ramadã acaba, uma das coisas é se comprar roupa nova, normalmente com dinheiro que algum familiar te deu ou com o seu mesmo acho).

O Orgulho das pessoas por esta celebração é bem interessante, porque é um momento em que todos param ao mesmo tempo para fazer a mesma coisa. E isso significa passar um mês jantando com familiares, encontrando amigos e fazendo da refeição algo sagrado. Tive o prazer neste mês de participar de alguns jantares típicos e experimentar comidas próprias e doces feitos especialmente para o Ramadã. Aqui existem muitos cristãos que aprenderam a partilhar um pouco dessa festa. É comum a troca de jantares entre amigos cristão e mulçumanos.

Nossa tentativa de Iftar

Nossa tentativa de Iftar (Em ordem: Agniesza, Lina, eu, Zsófia e Kadi)

E no final para celebrar tudo isso tem a grande festa! O Eid al Fitr é o banquete do término do jejum e ocorre quando a Lua Nova é avistada no Céu, então no início do próximo mês que é o Shawwal, tem um feriado de 3 dias consecutivos com banquetes, mais caridade, trocas de presentes e novas roupas.

De interessante sobre a festa o que descobri é que existe um doce feito especialmente para os três dias, uma espécie de biscoito que tem que ser preparado em conjunto por todas as mulheres da família. Imaginem só a mulherada toda na cozinha, boa coisa não deve sair.

E este é o Ramadã, mais notícias vindas do Nilo em breve!!!

2 comments Setembro 17, 2009

O Final da Viagem e uma cidade chamada Nueba

Depois de Subir o Monte do Sinai e visitar o mosteiro de Santa Catarina, resolvemos (não estava viajando sozinha então pensar em grupo é fundamental) entrar em um taxi (na verdade era um guia do acampamento que estávamos com um carro) e rumamos para uma cidadezinha perto para passar o resto do dia, dormir e iniciar a manhã bem descansado para a viagem de volta a Alexandria (aquelas mais de 12 horas de ônibus, lembra?)

Então pegamos a estrada rumo a Nueba e nos hospedamos no Petra, um “hotel” a baira mar.  Foi ótimo passar um tempo no sol, no calor e na água vendo os corais para ver se a musculatura voltava ao normal. Seguem as fotos, porque a volta de ônibus eu prefiro nem comentar…

Estrada rumo a Nueba

Estrada rumo a Nueba

Quartos no "Hotel", acreditem tinha ar condicionado

Quartos no "Hotel", acreditem tinha ar condicionado

O "hotel" visto da areia (estou nesta foto hehe)

O "hotel" visto da areia (estou nesta foto hehe)

Uma pequena olhada para o lado, existem mais "hoteis"!

Uma pequena olhada para o lado, existem mais "hoteis"!

Dá para passar um tempo no sol, não dá?

Dá para passar um tempo no sol, não dá?

Um lugar relaxante, fica difícil assimilar que você está no Egito.

Um lugar relaxante, fica difícil assimilar que você está no Egito.

Mas daí você avista as montanhas no Horizonte e lembra rapidinho aonde está.

Mas daí você avista as montanhas no Horizonte e lembra rapidinho aonde está.

1 comment Agosto 20, 2009

Acampando e subindo o Monte de Sinai

Tudo começou quando eu fui informada que só começo a trabalhar dia 22, muito estranho, não foi algo bem recebido no começo, afinal corri para estar aqui e preparar tudo. Mas quando descobri que isso é normal e falei com todas as trainees que moram comigo sobre o assunto, ficando sabendo que uma delas esperou quase dois meses antes de começar a trabalhar, meio que aceitei a idéia.

Em um segundo momento pensei: o que farei nesse meio tempo? Por minha sorte ou por pura coincidência, a Rachel (trainee da Inglaterra) vai embora em uma semana, e elas tinham planejado ir “acampar” (foi o termo usado mas não foi bem assim) e conhecer alguns lugares. Logo aceitei a idéia e me juntei ao grupo, afinal uma viagem de 3 dias e meio não faria mal e vai saber quando alguém toparia fazer isso com as trainees novamente.

Antes de embarcar no que seria uma semi-aventura, cheguei a conclusão que era melhor não pensar muito no assunto e simplesmente ver no que ia dar. Saímos (Eu, a Rachel, a Zófia (trainee da Hungria) e o Ufa (Aieseco de ICX que mora no nosso prédio)) rumo a estação de ônibus de Alexandria eram umas 6h30 da manhã, partimos rumo a Cairo, onde às 11 pegaríamos o ônibus que nos levaria para o Sul da península do Sinai.

Parece simples a viagem, mas só parece. Levamos mais de 12 horas no trajeto, mas chegamos a conclusão que contar quanto tempo passávamos no ônibus seria uma perda de tempo, era melhor apreciar a vista. No começo funcionou, mas depois de umas 4 horas olhando areia e rocha, cansa um pouco, fora que se você está na janela que tem sol (como eu) vc tem que fazer de tudo para a cortininha do ônibus ficar fechada e o sol não te atrapalhar (te queimar e fazer você passar muito calor).

Vista da Janela do ônibus
Vista da Janela do ônibus

Foi legal no começo passar por umas cidades costeiras, avistar o mar e pensar que você estava alucinando dentro do ônibus e também foi legal a experiência de ver como em todos os lugares, que parecem sempre ser no meio do nada, tem água, coca-cola, pepsi, salgadinho, chocolate e cigarro para vender. Ao mesmo tempo que tiveram coisas legais, passamos por momentos tensos como: várias paradas do ônibus para checarem a documentação e várias suspeitas do tipo “O que 3 meninas de países diferentes estão fazendo com um Egípcio”, daí o Ufa tinha que sair do ônibus e explicar a situação toda; Outra coisa foi quando o ar condicionado, que já não funcionava muito bem, quebrou e fomos em uma oficina concertar, conclusão… mais tempo de viagem.

Tanques militares em uma das bases no meio do trajeto
Tanques militares em uma das bases no meio do trajeto

E mais vista da janela... é muito tempo de viagem
E mais vista da janela… é muito tempo de viagem

Por fim eram umas 10h30 da noite quando chegamos no acampamento Fox, já estava escuro e montaram as nossas barracas (não tive que fazer isso… um pouco triste mas depois de tanto tempo viajando achei ótimo não precisar montar a minha barraca), jantamos rapidamente o que tinha no local (sopa de frango, salada de tomate e pepino e macarrão), tomamos banho (é acampamento mas tem o banheiro pelo menos) e fomos dormir às 11 horas para acordar à uma da manhã e iniciar a escalada.

Eu e a barraca!
Eu e a barraca!

Eram exatamente uma e meia da manhã quando o nosso guia nos dirigiu para fora do acampamento, a pé mesmo, o acampamento fica à 20 minutos da montanha, e iniciamos a caminhada. Nesse momento estava bem frio, é até engraçado pensar o calor que você passa indo até o locar e o frio que faz de noite e na montanha, ainda bem que fomos preparados para isso. No começo, tudo é festa! Não se pensa muito que você viajou 12 horas ou mais, dormiu duas e vai fazer uma escalada de mais de 3 horas (dizem que são 3 horas, mas considerando que você para no meio do caminho e tem mais de um trilha e que chegamos no topo às 5h30 da manhã, é melhor não pensar em quanto tempo você vai andar).

Visão da estrada do acampamento rumo ao monte
Visão da estrada do acampamento rumo ao monte

O interessante da caminhada: é noite, está escuro, em um grupo de 5 vocês tem uma lanterna, você só enxerga a pessoa na sua frente e a pedra que tem que subir (ou melhor as zilhões de pedras que tem que subir), você vai no ritmo do grupo porque se não não enxerga nada, você consegue ver que a sua esquerda tem a montanha e mais rochas, mas em alguns momentos na sua direita só existe escuridão e o céu é o mais estrelado possível, dá para ficar observando todo o tempo é incrível.

Não enxergamos a trilha, mas temos que tomar cuidado por onde vamos...
Não enxergamos a trilha, mas temos que tomar cuidado por onde vamos…

Depois de uma hora de subida, paramos por uns 5 minutos para beber água de um poço (obrigada guia por saber que tinha água lá). A cada momento que continuávamos a subida ficava mais íngreme, depois de umas duas horas e meia subindo, chegamos a um “café” (é uma casinha que vende água, coca-cola, pepsi, chocolate, cigarro… ainda bem que eles pensam nos turistas) onde compramos água e chocolate, não porque você fica com fome, mas é que é tão íngreme que você precisa do chocolate e da água para não passar mal (pelo menos para pessoas super atletas como eu hehe).

E quando você acha que está acabando, chegam os degraus (isso resumidamente porque na verdade você só vê o pico da montanha depois de umas duas horas de caminhada, o que é tempo o suficiente para você se perguntar o que raios está fazendo ali), se fossem degraus normais ia ser muito bom, mas nada é tão simples, são rochas como em toda subida, cada uma de um tamanho, a maioria íngreme e nesse momento você começa a enxergar alguma coisa porque já são 5 da manhã e não está tão escuro. Nisso você começa a ver os turistas que vieram de outra trilha, também descobre que tem uma trilha que as pessoas vem de camelo, e é nesse momento crucial de “estou chegando” que você acha aquela energia final para terminar os mais de 700 degraus (não sei como contaram) rumo ao topo para ver o sol nascer. E daí você chega, encontra um lugar para aguardar o sol nascer, passa um frio, o sol nasce, você se dá conta de onde você está e enxerga o que você subiu e neste momento, não se tem palavras.

Esperando o sol nascer
Esperando o sol nascer
O sol nascendo
O sol nascendo
Olha mais de perto, bonito não?
Olha mais de perto, bonito não?
Eu e o Sol nascendo, tenho que provar que estava lá...
Eu e o Sol nascendo, tenho que provar que estava lá…
E depois que o sol nasce, enxergamos tudo, inclusive a capela da Santíssima Trindade!
E depois que o sol nasce, enxergamos tudo, inclusive a capela da Santíssima Trindade!

Ficou curioso para saber o por que das pessoas subirem o Monte Sinai ou Monte Horeb ou Jebel Musa, que significa “Monte de Moisés” em árabe? Vou dar uma breve explicação: O Monte Sinai fica na península do Sinai, por isso o nome, esta região é considerada sagrada por três religiões: cristianismo, judaísmo e islão. O monte é de granito e tem uma altura estimada em 2288 metros, onde, segundo a Bíblia e a tradição judaica, Moisés teria recebido as Tábuas da Lei, que continham os 10 mandamentos (Êxodo 24:14). Para quem quiser saber mais, leia aqui, também fala um pouco do Mosteiro de Santa Catarina, nossa próxima parada (fomos depois de almoçar no acampamento), e do um arbusto de Rubus sanctus, que eles chamam de “burning bush” ou sarça ardente original.

Visão do Mosteiro de Santa Catarina, do lado de dentro (o que deu para tirar foto, antes de acabar a bateria)
Visão do Mosteiro de Santa Catarina, do lado de dentro (o que deu para tirar foto, antes de acabar a bateria)
the burning bush (tbm deu tempo de tirar essa foto!)
the burning bush (tbm deu tempo de tirar essa foto!)

E depois do merecido tempo vendo o nascer do sol e descobrindo onde você está, o que tem a sua volta e o que você escalou, tem a volta, que significa a descida, que para alguns é pior do que a subida, porque são rochas e areia e cair é bem fácil, mas é ai que você enxerga por onde você subiu, é inacreditável, se subir é ingreme, descer é difícil e também leva mais de 3 horas, não vamos esquecer disso. A conclusão é que você não sente seu corpo por uns 4 dias, mas um pouco de história e uma vista dessas não se tem todos os dias e nem em todos os lugares.

Subiu, agora desce...
Subiu, agora desce…
Pelo menos conseguimos ver a vista, diz aí camelinho!!
Pelo menos conseguimos ver a vista, diz aí camelinho!!
E vamos descendo, de vermelho o nosso guia nos leva de volta...
E vamos descendo, de vermelho o nosso guia nos leva de volta…
Tem coisas que só da para ver no claro, até "banheiro" tem!
Tem coisas que só da para ver no claro, até “banheiro” tem!
E... para ilustrar uma das vendinhas salvadoras
E… para ilustrar uma das vendinhas salvadoras
Ahhhh sim e o local que paramos para beber água, que significa que falta 1h30 para o acampamento!
Ahhhh sim e o local que paramos para beber água, que significa que falta 1h30 para o acampamento!

Chegamos no acampamento de volta eram 10 da manhã, façam as contas, saímos a uma e meia da manhã. A viagem como um todo não acabou por aí, a próxima parada foi uma cidade costeira chamada Nueba, que paramos por acidente, mas isso fica para o próximo post. Acho que já falei até mais do que devia… ficarei por aqui… pelo menos por enquanto.

Fico por aqui... aguarde mais capítulos.
Fico por aqui… aguarde mais capítulos.

9 comments Agosto 18, 2009

Chegando na cidade de Alexandre, o Grande

Alexcoast

- 4,1 milhões de pessoas

- a segunda maior cidade do Egito

- 32 quilômetros de costa mediterrânea

- fundada 331 a. c por Alexandre, o Grande

- tem a maior biblioteca do mundo…

Mas tudo isso descobrimos com o wikipedia, então vamos a coisas mais interessantes. Primeiro como cheguei aqui…

Fazem menos de 24 horas que coloquei os pés em terras Egípcias, de forma resumida: parti do Brasil na sexta feira por voltas das 15h30, cheguei em Roma às 7h da manhã em hora local, esperei 4h30 para o meu voo de 3h40 para Cairo, cheguei em cairo às 17h30 mais ou menos, horário local. Saí do aeroporto e fui recepcionada pela Nada LCP de um CL de Cairo, a única coisa que ela sabia sobre mim é que eu era brasileira então parecia como uma, o que importa é que ela me reconheceu, me levou até a estação de trem, onde comprei a passagem de Cairo para Alexandria e, ela esperou o trem comigo e me comprou uma coca. Parti enfim para Alexandria onde cheguei cerca de 2h40 depois, eram 21h00 e o VPFin e o VPTM me aguardavam na estação. Me trouxeram para a minha casa temporária de trainee e fomos jantar.

Okey até esse momento minhas impressões:

- Pessoas: muito receptivas e com senso de humor (sim existem piadinhas engraçadas, pelo menos para eles), agora é verdade que qualquer Egípicio vai te ajudar a troco de dinheiro do tipo “eu ajudo você a colocar a sua mala no ônibus e você me dá um trocado”, daí fica realmente difícil perceber se a pessoa é receptiva a ponto de te ajudar… porém todos ajudam a dar informações… então o saldo é positivo.

- Lugares: não são os mais limpos que existem, mas a estação de trem parecia estações brasileiras como a Sé, com um pouco mais de pó. O restaurante que eu fui era bem limpo (o banheiro, que tinha papel higiênico uhu!, não era dos mais limpos, mas já fui em bem piores no Brasil), impressionante mesmo a quantidade de Egípcios que fumam cigarro e sim…. narguilé, metade do restaurante tinha um por perto, simplesmente porque vc compra como algo do cardápio do tipo “o que você vai querer? um narguilé por favor”, e isso não só no restaurante que eu fui que era mais chique, mas em vários que pude avistar do carro.

- Temperatura: no momento está 29 graus, ainda bem que tem ventilador no quarto que dormi (que na verdade é a sala de jantar da casa), sinceramente não sei como as mulheres conseguem usar toda aquela roupa nesse calor… fiquei com dó. Mesmo assim não são todas as mulheres que se cobrem inteiras e existem formas diferentes de se cobrir, é verdade também que as trainees não são as únicas estrangeiras na cidade que não usam nenhum tipo de pano para se cobrir, você consegue cruzar com várias mulheres (pelo menos eu consegui, nesse tempo) que não usam nada.

- Trânsito: uma loucura organizada, se dirige como aqui, só que você pode entrar em uma rua que não dá passagem porque tem carro estacionado (principalmente de noite, já que a maioria dos prédios não tem garagem), você pode ter que buzinar algumas vezes para meio que indicar para o carro na sua direita que você está na faixa, você cruza com vários carros que tem algum tipo de amassado na lataria (por que será né), mas ainda não posso dizer o que é pior isso ou os motoristas de ônibus no Brasil.

- Curiosidades: o apartamento que estou fica umas 3 quadras de uma praia, mas o pessoal aqui costuma ir a praias particulares, porque daí você consegue ir a praia… isso pode ser um pouco triste… vi a Biblioteca de Alexandria, fica pouco menos de 10 minutos de carro de onde estou, e como só vi a cidade de noite (agora são duas horas da tarde e está claro, mas ainda não saímos porque fomos dormir umas 5 da manhã e uma trainee ainda não acordou) só vi a biblioteca de relance toda iluminada, enorme e muito bonita.

Bom do que eu consigo lembrar é isso, ah sim e não tenho nenhuma foto porque bem… esqueci a câmera. Mas acho que sobrevivo. Ainda não sei quando eu começo a trabalhar, como chegar no trabalho, onde é o CL e se os trainees são participativos, onde eu posso comprar qualquer tipo de coisa, que meio de transporte vou encarar para chegar no trabalho e não consigo decifrar o meu endereço… sério até os números tinham que ser escritos de formar diferente… ninguém merece. É um sinal de que vou ter que aprender árabe… veremos. 

Mais notícias em breve (com fotos, se possível)

Aloha e ;-*kas

3 comments Agosto 9, 2009

Descobrindo novas coisas na web

Decidi aprender o mínimo de html neste feriado para tentar fazer um email legal e bonitinho com links, depois de vários testes me sinto esgotada. Se eu vou desisitir? NUNCA. Mas nesse meio tempo acabei refletindo sobre a quantidade de conteúdo que é criado online e que se a maioria das coisas é feita por meio de html, algum dia e de alguma forma, descobrirei como solucionar alguns probleminhas que estou tendo na criação desse email.

Enquanto isso aproveitei o dia para colocar alguns emails em dia. Dentre tudo o que fiz, adicionei este novo blog aí do lado! O que significa mais conteúdo na web! Não sei onde todos nós vamos chegar escrevendo tanto por aí, mas o importante é que existirá conteúdo.

Outra coisa interessante que vi hoje foi este vídeo, de uma campanha visando a sustemtabilidade, criado faz um tempinho. O vídeo e a campanha em si me animaram um pouco, gosto quando as pessoas criam teorias que um dia podem funcionar, ainda mais quando são teorias que buscam algum bem e se espalham pela web como virais.

Bom por hoje é só pessoal, vou ver se durmo um pouco. Alohamora…

Add comment Julho 10, 2009

Check In: Pecados da Vida Privada

Hoje foi o teatro do Ma (meu irmão) no colégio. Aqueles que me conhecem e estudaram comigo sabem que no Rainha da Paz, o terceiro colegial é sinônimo de Teatro. A peça é aguardada simplesmente por todos os estudantes, de todas as séries. Este ano a peça chegou ao décimo nono ano. Preferi não pensar que a diferença de idade entre eu e meu irmão são seis anos.

Check In: Pecados da Vida Privada - Entrada do Teatro

Check In: Pecados da Vida Privada - Entrada do Teatro

O fato é que o dia foi propício. A peça foi sobre os pecados capitais e bem ela começa simplesmente com… não vou falar assistam o video no final do parágrafo.

O que ocorreu hoje com o A310 foi o que: acaso? Ter um teatro assim neste dia doi ironia do destino. Bom nada melhor que curtir tudo ao som de Triller (sim tocaram músicas do Michael, faz parte…).

Brincadeiras a parte o garoto cresceu. E tenho que confessar que foi super fofo dar uma de irmã coruja, reencontrar professores e pensar na minha própria peça (Hair e pensar que tem gente que registrou)… e nos micos… e nas cenas… e nas pessoas. Deu até um pouco de saudade, mas passou. No final fica a dica: a vida é um pecado por si só e a culpa é da maça.

O astro (foto de relance, a Dani vai me matar quando ver)

O astro (foto de relance, a Dani vai me matar quando ver)

2 comments Junho 30, 2009

Escolhas

Aprendemos muito se soubermos aproveitar as informações e oportunidades que temos, sempre mais perto e acessíveis do que imaginamos. Parece fácil lutar pelo que você quer e as vezes não sabemos por onde começar. Então espero que a humanidade continue dividindo o que sabe e aprendendo e se desenvolvendo.

Palestra Regina Avila para a AIESEC USP

Palestra Regina Avila para a AIESEC USP

Essa semana tive o prazer de ter acesso a um vídeo, graças ao Luiz (valeu Luiz), após uma palestra da AIESEC USP sobre carreira que ocorreu na sala da congregação com a Regina Avila (valeu TMers e Aline por essa oportunidade). O fato é que com essa palestra eu pude confirmar algumas teorias que arquiteva em silêncio na minha mente. E o momento foi muito propício já que me preparo para fechar um ciclo (pessoal e profissional) e iniciar um completamente novo. Compartilho com vocês aqui a parte principal do vídeo de Waldez Ludwig falando de mercado de trabalho e espero que ele os faça pensar.

Add comment Junho 28, 2009

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